11/07/2016

Resultados co concurso "A minha vida como animal abandonado "



Melhores Trabalhos por turma :

Lia Soares -5º A-   3º classificado

Rafael Graça- 6ºA   1º classificado

Yolanda Jasmin   6ºB

Mara Vidal   7º A-   2º classificado

Daniela Duarte -7ºB

Adelmo – 7º C



Banda Desenhada: Luís Reis- 7ºC- 1º Classificado

1º ciclo-  Joana e Felícia da E,B 1 Budens


1º Classificado 

                                                               Um Companheiro de verdade

Chamo-me Companheiro e sou um Rafeiro Alentejano. Já passei por uma vida muito triste, em que me faltou comida, água, abrigo, mas, principalmente, carinho.
Não sei quantos anos tenho, mas o meu antigo dono, que era pastor, dizia ser uns três anos de idade. Durante esse tempo acompanhei o rebanho todas as manhãs, sem folgas e descanso, fizesse chuva ou sol. À noite ficava preso a uma corrente, à espera que o dia amanhecesse e tudo recomeçasse.
Cuidar das ovelhas e cabras não era a vida que eu sonhava, preferia ficar descansando à sombra de uma oliveira ou até mesmo deitado no meio da estrada, mas o meu dono não me deixava e, por isso, era sempre castigado! Foram tantas as vezes que apanhei com um pau, corda, até mesmo com uma cana que ele sempre levava na mão, só porque preferia dormir a caminhar horas e horas sem fim…
Houve um dia que o meu dono, já com barbas brancas e pouco cabelo, cansado de andar com o rebanho por tantas terras, vendeu as ovelhas e abandonou-me à minha sorte! E que sorte era essa? Andei por tantas estradas, remexi em lixos em busca de restos de comida, dormi no meio das moitas, escondi-me em baixo dos carros para fugir da chuva… até o dia em que vi uma família chegar à casa e me aproximei.
Quando repararam como eu estava, vieram logo ajudar-me. O pai, ao ver a minha magreza, trouxe-me uma bela refeição. A mãe ficou assustada com os meus ferimentos e voltou com medicamentos para me tratar. As crianças estiveram sempre ao meu lado, a dar-me miminhos e a conversarem comigo.
No dia seguinte, pensei que estaria sozinho outra vez, mas não. Lá estavam eles, dispostos a dar-me um banho de mangueira. Tentei fugir e esconder-me, pois tenho muito medo de água, mas foi impossível. Ao fim de uma manhã agitada, finalmente pude descansar, só que, desta vez, limpo e cheiroso, sem estar preso a uma corrente.
E assim se passaram os dias; a passear, com eles pelos bosques, a receber elogios por dar a pata, a roer um saboroso osso sem preocupação. Hoje, posso dizer que sou um cão feliz. Sou bem tratado e amado pela família que me adotou e que entendeu o sentido do meu nome… Companheiro!
Rafael Graça -6º A